Introdução
A cólica menstrual, também conhecida como dismenorreia, é uma condição que se manifesta como dor abdominal tipo cólica, ocorrendo geralmente antes ou durante o período menstrual. Estima-se que até 90% das adolescentes e 25% das mulheres adultas experimentem essa dor mensalmente. A dismenorreia é gerada por contrações uterinas, essenciais para a expulsão do tecido uterino que não é mais necessário. Entretanto, algumas mulheres enfrentam cólicas tão intensas que essas contrações comprimem os vasos sanguíneos que irrigam o útero, levando a uma isquemia temporária. Neste artigo, vamos explorar as opções de tratamento para a cólica menstrual.
Opções para tratar a cólica menstrual
O principal objetivo do tratamento da cólica menstrual é proporcionar alívio da dor. Embora seja desejável eliminar completamente a dor, isso nem sempre é possível. Para cólicas mais intensas, o foco deve ser amenizar a dor o suficiente para que a mulher possa realizar suas atividades diárias. O tratamento pode ser realizado através de medicamentos, práticas educacionais, exercícios, dietas adequadas e remédios caseiros. A intensidade da cólica menstrual pode ser classificada em quatro graus:
- Dismenorreia grau 0: Menstruação sem dor ou com dor muito discreta, sem necessidade de tratamento.
- Dismenorreia grau 1: Cólicas leves que geralmente não interferem nas atividades diárias, podendo ser tratadas com medidas caseiras.
- Dismenorreia grau 2: Cólicas moderadas a fortes, que podem ser acompanhadas de outros sintomas. Este grau frequentemente requer medicamentos.
- Dismenorreia grau 3: Cólicas intensas que interferem nas atividades diárias e costumam não responder bem a tratamentos convencionais.
Papel do placebo
O efeito placebo refere-se a tratamentos que não têm efeito direto sobre a condição, mas que o paciente acredita serem eficazes. Em relação à cólica menstrual, estudos mostram que 84% das mulheres que recebem um placebo relatam melhora nas cólicas no primeiro mês. Contudo, essa eficácia diminui com o tempo, caindo para 29% no segundo mês e para 10% no quarto mês. O efeito placebo tende a ser menos eficaz em cólicas mais intensas.
Tratamento caseiro e não medicamentoso
Tratamentos caseiros podem ser utilizados em todos os graus de dismenorreia, sendo a única medida necessária nos graus 0 e 1. Aqui estão algumas opções que demonstraram eficácia superior ao placebo em estudos científicos:
Calor local
A aplicação de calor na região inferior do abdômen é uma das medidas mais eficazes para aliviar cólicas. Pesquisas indicam que uma bolsa de água quente pode ser tão eficaz quanto anti-inflamatórios e até mais do que analgésicos comuns como o paracetamol.
Exercício físico
A prática regular de exercícios físicos pode ajudar a reduzir a intensidade das cólicas. Mulheres sedentárias tendem a experienciar cólicas mais intensas do que aquelas que se exercitam regularmente.
Yoga e técnicas de relaxamento
Embora haja poucos estudos sobre a eficácia da yoga no tratamento da dismenorreia, a prática pode ser benéfica, assim como outras técnicas de relaxamento e meditação.
Relação sexual
Estudos sugerem que o orgasmo pode ajudar a aliviar a dor das cólicas, mas muitas mulheres não têm desejo sexual durante períodos de dor intensa.
Dieta
Uma dieta rica em vegetais e ácidos graxos ômega 3, e pobre em gordura animal, pode reduzir a intensidade e a duração das cólicas. No entanto, a evidência científica sobre essa abordagem ainda é limitada.
Evitar cigarro e álcool
O consumo de cigarro e bebidas alcoólicas pode agravar os sintomas da cólica menstrual, e é aconselhável evitá-los caso haja ocorrência de cólicas fortes.
Acupuntura
A acupuntura é uma opção de tratamento, embora a maioria dos estudos sobre sua eficácia seja de qualidade limitada. Alguns bons estudos indicam que ela pode ser útil, especialmente para aqueles que preferem evitar medicamentos.
Tratamento com remédios
O tratamento medicamentoso para dismenorreia é frequentemente realizado com anti-inflamatórios não esteroides (AINES) ou anticoncepcionais hormonais. Ambos têm eficácia semelhante e podem ser utilizados simultaneamente.
Anti-inflamatórios não esteroidais (AINES)
Os AINES são eficazes em 85% dos casos e sua eficácia não diminui ao longo do tempo. Os mais recomendados incluem ibuprofeno e ácido mefenâmico. O paracetamol, embora amplamente utilizado, é menos eficaz que os AINES.
Anticoncepcionais hormonais
Os anticoncepcionais hormonais ajudam a regular o ciclo menstrual e a reduzir as cólicas, sendo eficazes diversas formas, como pílulas, adesivos e o DIU Mirena, que libera hormônios.
Vitaminas e sais minerais
Alguns estudos sugerem que vitaminas como a E e B1, assim como o magnésio, podem auxiliar no controle das cólicas, embora a evidência seja fraca devido ao tamanho reduzido das amostras.
Referências
- Dysmenorrhea in adult women: Treatment – UpToDate.
- Primary Dysmenorrhea Consensus Guideline – Society of Obstetricians and Gynaecologists of Canada.
- Dysmenorrhea Treatment & Management – Medscape.
- Diagnosis and Initial Management of Dysmenorrhea – American Family Physician.
- Dysmenorrhea: Painful Periods – American College of Obstetricians and Gynecologists.
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