Introdução
O câncer de mama é uma das formas mais comuns de câncer entre mulheres, tanto no Brasil quanto no mundo. Apesar dos avanços significativos nos métodos de diagnóstico e tratamento, essa doença continua a ser uma das principais causas de mortalidade feminina. Anualmente, milhares de mulheres são diagnosticadas, e as taxas de mortalidade variam conforme o acesso ao tratamento. A detecção precoce é fundamental, pois aumenta as chances de cura e reduz a mortalidade. A mamografia é o principal exame de triagem, enquanto biópsias e exames de imagem complementares são usados para confirmar o diagnóstico.
Sintomas do câncer de mama
O principal sinal do câncer de mama é, geralmente, o surgimento de um nódulo na mama. Nódulos malignos frequentemente apresentam características como:
- Consistência endurecida;
- Formato irregular;
- Aderência aos tecidos profundos, tornando-se menos móveis à palpação.
Em contrapartida, nódulos benignos tendem a ser arredondados, elásticos e móveis. Embora a maioria das alterações nas mamas não seja câncer, é crucial realizar uma avaliação médica para diferenciá-las. Outros sinais que podem indicar câncer de mama incluem:
- Alterações no mamilo: inversão, vermelhidão, descamação ou secreção anormal, especialmente se com sangue;
- Assimetria mamária: variações no tamanho e formato de uma das mamas;
- Linfonodos palpáveis: presença de nódulos na axila ou ao redor da mama;
- Mudanças na textura da pele: espessamento ou aspecto de “casca de laranja”;
- Aparecimento de veias dilatadas: visíveis ao redor da mama.
Um tipo raro de câncer de mama, a doença de Paget, pode iniciar como uma pequena lesão ao redor do mamilo, que não cicatriza e piora com o tempo. Qualquer alteração deve ser investigada por um médico, especialmente em mulheres acima dos 35 anos.
Autoexame da mama
Realizar o autoexame das mamas pode ser um aliado na detecção precoce do câncer. Embora não substitua exames médicos, essa prática ajuda as mulheres a se familiarizarem com suas mamas e a perceberem mudanças. O ideal é iniciar o autoexame a partir dos 20 anos. A melhor época para realizá-lo é cerca de uma semana após o término da menstruação, quando as mamas estão menos sensíveis.
Como fazer o autoexame das mamas?
O autoexame pode ser realizado em casa, seguindo estes passos:
- Na frente do espelho: Fique em pé com as mãos na cintura e observe suas mamas. Preste atenção em tamanho, formato e cor da pele. Levante os braços e observe-as de diferentes ângulos.
- Durante a palpação: Deite-se de costas, use a ponta dos dedos para pressionar suavemente a mama em movimentos circulares. Varie a pressão para verificar camadas superficiais e profundas. Utilize a mão esquerda para examinar a mama direita e vice-versa, cobrindo toda a extensão da mama.
É importante lembrar que o autoexame não substitui a avaliação médica nem exames como mamografia ou ultrassonografia.
Diagnóstico e rastreio
O autoexame e o exame clínico feito por um médico conseguem identificar apenas uma pequena porcentagem dos casos de câncer de mama. Portanto, a realização de exames de rastreamento, como a mamografia, é essencial. Esses exames podem identificar lesões em estágios iniciais e aumentar as chances de um tratamento eficaz.
Mamografia
A mamografia é o exame mais importante para a detecção precoce do câncer de mama. Este exame de raio-X consegue identificar tumores antes de serem palpáveis. As recomendações de rastreamento variam entre instituições:
- Ministério da Saúde do Brasil: mamografia a cada 2 anos para mulheres de 50 a 69 anos.
- Sociedade Brasileira de Mastologia: mamografia anual a partir dos 40 anos.
- American Cancer Society: mamografia anual dos 45 aos 54 anos, depois a cada 2 anos após os 55 anos.
- USPSTF: mamografia a cada 2 anos a partir dos 40 anos.
Mulheres com histórico familiar de câncer de mama devem iniciar o rastreamento aos 30 anos. É importante agendar o exame em um período em que as mamas estejam menos sensíveis, preferencialmente após a menstruação.
Outros exames complementares
Além da mamografia, outros exames como ultrassonografia e ressonância magnética também são utilizados para complementar o diagnóstico. A ultrassonografia é especialmente útil em mulheres mais jovens, com mamas densas, enquanto a ressonância magnética é indicada para aquelas com alto risco de desenvolvimento da doença.
Teste genético para o câncer de mama
A predisposição genética desempenha um papel importante no câncer de mama. Mutações nos genes BRCA1 e BRCA2 são as mais conhecidas e associadas a um risco elevado de desenvolver a doença. O teste genético é recomendado para mulheres com histórico familiar significativo de câncer de mama e pode ajudar a identificar aquelas que estão em maior risco.
Referências
- National Comprehensive Cancer Network (NCCN)
- UpToDate
- National Cancer Institute
- CDC
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