Diretriz ABESO para Tratamento Farmacológico da Obesidade

Diretriz ABESO para Tratamento Farmacológico da Obesidade

Diretriz ABESO sobre o Tratamento Farmacológico para Obesidade

A obesidade é classificada como uma doença crônica que requer abordagens terapêuticas abrangentes e baseadas em evidências sólidas. Em 2026, a Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (ABESO) lançou uma nova diretriz que estabelece diretrizes claras para o manejo clínico da obesidade, enfatizando a integração do cuidado nutricional com o tratamento farmacológico. Este documento foi elaborado com rigor metodológico, garantindo independência editorial e priorizando a segurança do paciente. Familiarizar-se com essas recomendações é crucial para que profissionais de nutrição compreendam o papel do tratamento farmacológico na obesidade e assim otimizem os resultados metabólicos de seus pacientes.

A Obesidade como Doença Crônica e Progressiva

A diretriz da ABESO ressalta que a obesidade não deve ser vista apenas como uma questão de escolhas pessoais, mas sim como uma condição influenciada por fatores genéticos, hormonais, ambientais, comportamentais e socioeconômicos. Essa visão amplia a compreensão do problema e rejeita abordagens simplistas que, ao longo do tempo, contribuíram para o estigma associado à obesidade e para o insucesso nos tratamentos. Reconhecer a obesidade como uma doença crônica implica em adotar estratégias de longo prazo, que incluem, quando necessário, o uso de medicamentos para auxiliar na redução e na manutenção do peso corporal.

Integrando Estilo de Vida e Farmacoterapia

Entre as primeiras recomendações da diretriz, destacam-se as intervenções de mudança de estilo de vida associadas ao tratamento farmacológico. Essas intervenções, que possuem níveis de evidência A ou B, são consideradas complementares e devem ser mantidas a longo prazo. O aconselhamento nutricional é fundamental para evitar deficiências nutricionais e garantir que a perda de peso ocorra de forma saudável. Além disso, a promoção da atividade física é essencial para combater o sedentarismo, devendo ser ajustada de acordo com as condições clínicas e preferências do paciente.

Indicações para Tratamento Farmacológico da Obesidade

Conforme as orientações da ABESO, o tratamento farmacológico é indicado para indivíduos com Índice de Massa Corporal (IMC) igual ou superior a 30 kg/m², ou a partir de 27 kg/m² quando há comorbidades associadas. A diretriz também considera o tratamento para pessoas com circunferência abdominal aumentada, mesmo que apresentem IMC inferior. O objetivo principal da medicação é a melhora das condições associadas, a redução da gordura corporal e o diminuição do risco cardiometabólico, além de promover uma melhor qualidade de vida. O tratamento farmacológico é igualmente importante na manutenção do peso perdido, sendo necessária uma reavaliação periódica da eficácia e segurança do mesmo.

Estratégias na Escolha do Medicamento

Embora nem todos os profissionais sejam prescritores, é vital entender qual tipo de medicamento é mais eficaz para as diversas condições clínicas associadas à obesidade. A diretriz sugere que, sempre que possível, deve-se optar por fármacos de alta potência, dada a sua eficiência em melhorar os resultados clínicos e a qualidade de vida do paciente. Caso o acesso a esses medicamentos seja limitado, a escolha deve levar em conta a segurança, o custo, as comorbidades e os hábitos alimentares do paciente. Em situações em que a resposta clínica for insatisfatória, pode-se considerar a combinação de diferentes classes de medicamentos.

Manejo de Comorbidades Específicas

A diretriz oferece recomendações específicas para o tratamento farmacológico em relação a condições comuns associadas à obesidade, como:

  • Pacientes com IMC ≥ 27 kg/m² e doença cardiovascular aterosclerótica sem diabetes devem considerar a semaglutida para prevenir novos eventos cardiovasculares.
  • A sibutramina não é recomendada para aqueles com obesidade e doença cardiovascular estabelecida e/ou diabetes tipo 2 com pelo menos um fator de risco cardiovascular.
  • Em casos de insuficiência cardíaca com fração de ejeção preservada, a semaglutida ou tirzepatida são indicadas para perda de peso e alívio de sintomas.
  • Para pessoas com obesidade e pré-diabetes, recomenda-se o tratamento farmacológico em conjunto com mudanças no estilo de vida para prevenir a progressão do diabetes.
  • No contexto de doença hepática esteatótica associada à disfunção metabólica (MASLD), o objetivo do tratamento é a perda de peso para proteger o fígado.
  • Para esteato-hepatite associada à disfunção metabólica (MASH) com fibrose, a semaglutida é a principal recomendação para a resolução do quadro hepático.
  • Indivíduos com osteoartrite de joelho e IMC ≥ 30 kg/m² podem se beneficiar do uso de semaglutida para melhorar os sintomas articulares.
  • O tratamento farmacológico pode ser considerado para pacientes com câncer associado à obesidade, em comum acordo com a equipe oncológica, visando reduzir o risco de complicações e melhorar a resposta ao tratamento oncológico.
  • A tirzepatida é recomendada para pacientes com IMC ≥ 30 kg/m² para mitigar a gravidade da apneia obstrutiva do sono moderada a grave.
  • Para pacientes acima de 60 anos e/ou com obesidade sarcopênica, o tratamento farmacológico deve ser combinado com treinamento de força e aporte nutricional adequado para preservar a massa magra e a funcionalidade durante o emagrecimento.

Práticas Não Recomendadas e Segurança

A ABESO não recomenda o uso de substâncias que não possuam evidências científicas validadas por ensaios clínicos. A prescrição de fórmulas magistrais contendo diuréticos, hormônios tireoidianos, anabolizantes ou hCG é desencorajada. Além disso, o uso off-label de alguns medicamentos deve ser realizado apenas se respaldado por literatura de alta qualidade que comprove sua segurança.

Conclusão

O tratamento farmacológico para obesidade, conforme apresentado na diretriz da ABESO de 2026, é parte de uma abordagem abrangente que valoriza a terapia nutricional, o acompanhamento contínuo e uma atuação multiprofissional. O entendimento e a aplicação deste material são essenciais para aprimorar a prática clínica, promover um cuidado centrado no paciente e contribuir para resultados mais sustentáveis e éticos no manejo da obesidade.

Referência: Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (ABESO). Diretriz Brasileira de Tratamento Farmacológico da Obesidade, São Paulo, ABESO, 2026.


Nota de Responsabilidade:Os conteúdos apresentados no MedOnline têm caráter informativo e visam apoiar decisões estratégicas e operacionais no setor da saúde. Não substituem a análise clínica individualizada nem dispensam a consulta com profissionais habilitados. Para decisões médicas, terapêuticas ou de gestão, recomenda-se sempre o acompanhamento de especialistas qualificados e o respeito às normas vigentes.