Conexão entre gota e doenças cardíacas com representação de articulações e coração.

Gota e Doença Cardíaca Qual é a Conexão Entre Elas

Gota e doenças cardíacas: qual é a conexão? Para aqueles que sofrem de gota, a preocupação não deve se restringir apenas às articulações. Estudos indicam que indivíduos com gota apresentam um risco elevado de desenvolver doenças cardíacas, incluindo a doença arterial coronariana, insuficiência cardíaca e arritmias. Mas qual a relação entre a gota, uma forma de artrite, e as doenças do coração? Embora o vínculo seja complexo e não totalmente compreendido, existem explicações plausíveis para essa conexão. Segundo especialistas, ao desenvolver um plano de ação, especialmente em relação a fatores de estilo de vida como a alimentação, o que é benéfico para a gota também é vantajoso para a saúde do coração.

O que é a gota?

A gota ocorre quando há um acúmulo excessivo de ácido úrico na corrente sanguínea. Normalmente, o corpo elimina esse subproduto de forma eficiente, principalmente através da urina. No entanto, em pessoas com gota, o organismo produz muito ácido úrico ou não consegue eliminá-lo adequadamente. Isso resulta na acumulação dessa substância no sangue e nos tecidos do corpo, podendo formar cristais em formato de agulha dentro das articulações, desencadeando uma resposta do sistema imunológico que causa dor e inchaço nas articulações, conhecida como crise de gota.

Fatores de risco compartilhados entre gota e doenças cardiovasculares

Embora a causa exata da gota não seja completamente conhecida, acredita-se que a genética desempenhe um papel significativo. Além disso, existem condições que aumentam os níveis de ácido úrico e que também são fatores de risco para doenças cardíacas. A maioria das pessoas com gota apresenta pelo menos uma dessas condições, que incluem obesidade, diabetes e hipertensão. A gota em si pode aumentar o risco de doenças cardíacas; durante uma crise de gota, o sistema imunológico gera inflamação, e entre as crises, a inflamação de baixo grau pode persistir no corpo. Essa inflamação contínua pode danificar o revestimento dos vasos sanguíneos e promover o acúmulo de placas gordurosas, que reduzem o fluxo sanguíneo, aumentando assim o risco de doenças cardíacas.

O tratamento da gota pode reduzir o risco de doenças cardíacas?

A boa notícia é que a gota é uma condição tratável. Embora medidas dietéticas e alterações no estilo de vida possam ajudar, a maioria das pessoas com gota necessita de medicação. Esses tratamentos podem também reduzir o risco de doenças cardíacas. Um estudo publicado na edição de março de 2026 do JAMA Internal Medicine revelou que pessoas com gota que conseguiram baixar seus níveis de ácido úrico no sangue para menos de 6 miligramas por decilitro com o uso de medicamentos apresentaram uma redução de 9% na probabilidade de sofrer um infarto, um derrame ou falecer de doenças cardíacas nos cinco anos seguintes.

Existem dois tipos principais de medicamentos para gota. O primeiro tipo é utilizado para aliviar os sintomas durante uma crise, incluindo anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) como ibuprofeno ou naproxeno, além de colchicina e corticosteroides. O segundo tipo é usado para prevenir futuros ataques, sendo os mais comuns o alopurinol e o febuxostato, que atuam na redução dos níveis de ácido úrico. Esses medicamentos são geralmente recomendados para quem sofre de crises severas ou frequentes — duas ou mais crises por ano. É fundamental que as pessoas com gota cuidem da condição, mas não devem negligenciar outras doenças. É aconselhável discutir com o médico os riscos adicionais de doenças cardíacas e monitorar os níveis de pressão arterial, glicose no sangue e colesterol.

Como mudanças no estilo de vida podem ajudar a proteger suas articulações e coração

Cuidar das articulações, do coração e da saúde geral envolve seguir padrões alimentares bem estudados. Tanto a dieta mediterrânea quanto a dieta DASH (Abordagens Dietéticas para Parar a Hipertensão) podem ajudar a manter baixos os níveis de ácido úrico e são benéficas para a saúde cardiovascular. Esses enfoques alimentares enfatizam o consumo de vegetais, frutas, grãos integrais, azeite de oliva, laticínios com baixo teor de gordura, peixes, leguminosas e nozes, enquanto limitam a ingestão de carnes vermelhas e açúcares adicionados.

Além disso, a prática regular de atividade física é essencial. É recomendado realizar de 150 a 300 minutos por semana de atividade aeróbica moderada, como caminhadas rápidas ou ciclismo, além de treinamento de força pelo menos duas vezes por semana. Essas medidas – uma dieta saudável e exercícios regulares – também podem ajudar aqueles que precisam perder peso. Caso não seja possível manter um peso saudável, é aconselhável discutir com o médico sobre medicamentos para emagrecimento.

Considerações finais

A conexão entre gota e doenças cardíacas é um aspecto importante a ser considerado por quem sofre de gota. Compreender os fatores de risco e os métodos de tratamento disponíveis pode ajudar a reduzir não apenas os sintomas da gota, mas também o risco de desenvolver problemas cardíacos. A adoção de um estilo de vida saudável, junto com a supervisão médica adequada, pode fazer uma diferença significativa na saúde geral.


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