Carreira Médica na Europa: Como Brasileiros Podem Exercer a Profissão na Espanha
A internacionalização da carreira médica é uma opção viável para médicos brasileiros que desejam revalidar sua formação no exterior. A Espanha se destaca por ter um dos processos de revalidação de diplomas mais uniformes e simplificados da Europa, tornando-se uma escolha atraente para aqueles que desejam atuar como clínicos gerais no país.
Processo de Homologação na Espanha
Diferentemente de outros países da União Europeia, onde a revalidação de diplomas é feita por meio de universidades, a homologação na Espanha é centralizada no Ministério de Universidades. Este sistema digitalizado facilita o processo, tornando-o mais acessível e menos burocrático. Segundo especialistas, o procedimento é um dos mais simples disponíveis para médicos estrangeiros.
Requisitos Linguísticos: O Exame DELE
Um dos primeiros desafios para médicos brasileiros que desejam homologar seu diploma na Espanha é a comprovação de proficiência na língua espanhola. A legislação local exige a apresentação do certificado DELE (Diploma de Espanhol como Língua Estrangeira), que é oficialmente concedido pelo Instituto Cervantes. Para a homologação do diploma de medicina, o nível exigido é o B2.
O custo da prova em 2026 é de aproximadamente R$ 495. No entanto, existem exceções para essa exigência. Médicos que possuem nacionalidade de um país hispanofalante ou que se formaram em instituições onde o espanhol é a língua oficial estão isentos de apresentar o DELE. Isso inclui um número significativo de médicos formados na América Latina.
Para aqueles que não se encaixam nas exceções, é essencial que se preparem adequadamente para o exame. A advogada Vivian Madeira recomenda que os aspirantes a médicos dediquem pelo menos seis meses a cursos preparatórios, já que o nível exigido não é básico e o exame requer um conhecimento intermediário avançado.
Documentação Necessária
Após obter o certificado de proficiência em espanhol, o próximo passo é reunir a documentação necessária para a homologação, que deve ser enviada de forma online pelo portal do Ministério de Universidades da Espanha. Os documentos exigidos incluem:
- Documento de identidade (passaporte ou DNI);
- Diploma de medicina;
- Histórico escolar detalhado (com carga horária e anos letivos);
- Certificado de proficiência em espanhol (DELE B2), se aplicável;
- Comprovante de pagamento da taxa administrativa.
Todas as documentações emitidas no Brasil devem ser apostiladas (Apostila de Haia) e acompanhadas de tradução juramentada para o espanhol. A taxa pública para protocolar o pedido é de 170 euros (aproximadamente R$ 1.065,88 na cotação atual).
Prazos e Expectativas
Embora a legislação espanhola estabeleça um prazo teórico de seis meses para a resposta dos pedidos de homologação, a realidade é que, muitas vezes, o processo pode levar mais tempo. Em alguns casos, os trâmites podem se estender por até dois anos, embora a tendência atual seja de aceleração dos processos.
Uma vez que a homologação do diploma é obtida, o médico brasileiro pode se inscrever no Colégio de Médicos da província onde deseja atuar. Isso permite que ele trabalhe como clínico geral no sistema privado ou em emergências. Para atuar no sistema público de saúde (Sistema Nacional de Salud) como especialista, é imprescindível ter o título de especialista reconhecido ou ter completado a residência médica (MIR) na Espanha.
Assessoria Jurídica
O processo de homologação pode ser feito de maneira individual pelo médico, utilizando a plataforma do governo espanhol. Entretanto, é altamente recomendável que os profissionais tenham um procurador na Espanha para facilitar o acesso a notificações eletrônicas e garantir que os prazos sejam cumpridos. Muitos optam por serviços de assessoria jurídica para garantir que todas as etapas sejam seguidas corretamente.
O custo da assessoria pode variar; no caso de serviços especializados, como os oferecidos por Vivian Madeira, o valor é de 1.200 euros (cerca de R$ 7.500), além da taxa administrativa e custos cartorários.
Homologação do Diploma vs. Reconhecimento da Especialidade
É importante fazer uma distinção entre a homologação do diploma de graduação, que permite atuar como clínico geral, e o reconhecimento da especialidade médica, como cardiologia ou dermatologia. O processo de homologação é considerado administrativo e mais uniforme, enquanto o reconhecimento da especialidade é gerido pelo Ministério da Saúde da Espanha e exige a formação de um dossiê completo sobre a trajetória profissional do médico.
Esse dossiê pode incluir publicações científicas e experiências profissionais relevantes. É comum que o Ministério da Saúde exija estágios em hospitais locais ou exames complementares para o reconhecimento da especialidade, uma vez que as cargas horárias das residências médicas brasileiras podem ser inferiores às exigidas na Espanha.
Por fim, vale ressaltar que a homologação do diploma não garante a concessão de um visto espanhol que permita a residência no país. O processo apenas possibilita o exercício da profissão na Espanha, o que pode, posteriormente, levar à obtenção de um visto de trabalho.
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