Introdução à Cirurgia Bariátrica e Metabólica
A cirurgia bariátrica e metabólica tem se destacado como uma abordagem eficaz no manejo da obesidade, especialmente diante do aumento significativo dos casos de obesidade e das limitações dos tratamentos convencionais. Com o avanço das técnicas cirúrgicas e a introdução de procedimentos minimamente invasivos, a cirurgia se tornou mais segura e acessível, oferecendo uma solução viável para muitos pacientes. Recentemente, as diretrizes brasileiras foram atualizadas, ampliando as indicações para a cirurgia, o que reforça a necessidade de formação contínua dos profissionais de saúde envolvidos neste processo.
Atualização das Indicações Cirúrgicas no Brasil
Até abril de 2025, as indicações cirúrgicas para a bariátrica no Brasil eram baseadas em diretrizes do NIH, que consideravam o índice de massa corporal (IMC) como critério para seleção cirúrgica. A partir de agora, com a nova resolução do Conselho Federal de Medicina, novas diretrizes foram estabelecidas. As atualizações incluem:
Pré-requisitos para Pacientes Adultos
- IMC superior a 40 kg/m², independentemente da presença de doenças.
- IMC igual ou superior a 35 kg/m², associado a pelo menos uma comorbidade relacionada à obesidade.
- IMC acima de 30 kg/m² em casos específicos, como diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares graves ou apneia do sono.
Pré-requisitos para Pacientes Adolescentes
- Mesmos critérios dos adultos, com ênfase na compreensão dos riscos e mudanças de hábitos.
- Desenvolvimento psicológico e fisiológico adequado.
- Suporte familiar é essencial.
O Acompanhamento Nutricional no Pré e Pós-Operatório
O acompanhamento nutricional é fundamental tanto antes quanto após a cirurgia bariátrica. No pré-operatório, o nutricionista avalia o estado nutricional do paciente e orienta mudanças alimentares necessárias. No pós-operatório, o acompanhamento visa garantir a reeducação alimentar e minimizar complicações. A dieta é introduzida gradualmente, adaptando-se à tolerância do paciente e ao tipo de cirurgia realizada.
Evolução da Dieta Após a Cirurgia
A dieta pós-operatória é estruturada em fases, começando com uma dieta líquida restrita nas primeiras 24 horas. A evolução das consistências alimentares é feita com cautela:
Fase Líquida
- Dieta líquida restrita: 50 ml/hora, aumentando conforme a tolerância.
- Alimentos permitidos: água, chá de frutas sem cafeína, caldos.
- Duração: até 48 horas.
Fase Líquida Completa
- Início no 2º ou 3º dia, com alimentos peneirados e sem açúcar.
- Incluir caldos, sucos coados e iogurtes naturais.
- Duração: até 14 dias.
Fase Pastosa
- Dieta pastosa, fracionada a cada 2 horas.
- Alimentos: frutas amassadas, mingaus, sopas liquidificadas.
- Duração: 10 a 14 dias.
Suplementação Nutricional
A suplementação é uma parte crítica do tratamento após a cirurgia bariátrica, uma vez que a restrição alimentar e as alterações hormonais aumentam o risco de deficiências nutricionais. A suplementação deve ser iniciada no pré-operatório e mantida no pós-operatório. Abaixo estão algumas recomendações de suplementação:
Suplementação Pré-Operatória
Inclui multivitamínicos para prevenir deficiências de ferro, ácido fólico e vitamina D. A avaliação nutricional deve identificar as necessidades individuais de cada paciente.
Suplementação Pós-Operatória
O foco deve ser na manutenção da ingestão proteica e prevenção de deficiências. A tabela abaixo resume as necessidades de suplementação conforme o tipo de cirurgia:
| Tipo de Cirurgia | Principais Riscos Nutricionais | Suplementação Recomendada |
|---|---|---|
| Bypass Gástrico em Y de Roux | Deficiências de ferro, vitamina B12, cálcio e vitamina D | Multivitamínico (200% DRI), Ferro (45-60 mg), Cálcio (1200-1500 mg), B12 (350-500 mcg), Proteína (1,2-1,5 g/kg do PI) |
| Gastrectomia Vertical | Deficiência de vitamina B12 e ferro | Multivitamínico (100% DRI), Ferro (18-36 mg), B12 (350-500 mcg), Proteína (1-1,5 g/kg de PI) |
| Derivação Biliopancreática | Deficiências severas de vitaminas lipossolúveis, proteínas, ferro, cálcio, vitamina B12 e D | Multivitamínico (200% DRI), Ferro (45-60 mg), Cálcio (1200-1500 mg), B12 (350-500 mcg), Suplementação intensiva de vitamina A, D, E e K, Proteína (até 2 g/kg de PI) |
Frequência do Acompanhamento Nutricional
O acompanhamento nutricional deve ser contínuo, com a frequência estabelecida em conjunto com o paciente. A SBNPE recomenda:
- Mensal: Exame antropométrico e avaliação do consumo alimentar até 6 meses pós-operatório.
- Trimestral: Exames bioquímicos até o final do 1º ano pós-operatório.
- Semestral: Exame antropométrico e avaliação do consumo alimentar do 1º ao 2º ano.
- Anualmente: Exames bioquímicos a partir do 2º ano e acompanhamento antropométrico a partir do 3º ano.
O sucesso da cirurgia bariátrica vai além da intervenção cirúrgica, exigindo um comprometimento contínuo com o acompanhamento nutricional para garantir uma recuperação saudável e sustentável.
Referência: Sociedade Brasileira de Nutrição Parenteral e Enteral (SBNPE/BRASPEN). Posicionamento científico sobre cirurgia bariátrica e metabólica. BRASPEN J. 2025;40(2):e2025402.
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