Dia Mundial do Autismo - Discussão sobre a prevalência do Transtorno do Espectro Autista entre gêneros

Dia Mundial do Autismo Afeta Mais Homens que Mulheres? Entenda

O Dia Mundial do Autismo e a Questão de Gênero

O Dia Mundial do Autismo, celebrado em 2 de abril, é uma oportunidade para discutirmos a prevalência do Transtorno do Espectro Autista (TEA) e suas implicações nas diferentes faixas etárias e gêneros. Estudos recentes têm reavaliado a forma como o autismo se manifesta entre homens e mulheres, sugerindo que a diferença nos diagnósticos pode ser menor do que se pensava, especialmente na idade adulta. Essa questão é complexa e multifatorial, envolvendo tanto fatores biológicos quanto sociais.

A Revisão da Prevalência de TEA entre Gêneros

Tradicionalmente, o TEA tem sido diagnosticado com maior frequência em meninos. Dados dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos indicam que para cada menina diagnosticada, existem cerca de quatro meninos. No entanto, novas pesquisas têm sugerido que essa proporção pode estar mais próxima de três para um. Um estudo realizado na Suécia, que analisou dados de mais de 2,7 milhões de pessoas entre 1985 e 2020, revelou que a diferença nos diagnósticos entre meninos e meninas diminui significativamente a partir da adolescência, chegando a quase se igualar na vida adulta jovem.

Fatores Biológicos e Sociais na Diagnosticação do TEA

Os fatores que contribuem para a disparidade de diagnósticos entre os gêneros são variados. Do ponto de vista biológico, os homens são mais suscetíveis a doenças genéticas devido à sua constituição cromossômica. Enquanto as mulheres possuem dois cromossomos X, os homens têm apenas um, o que pode resultar em uma maior vulnerabilidade a certas condições. Além disso, pesquisas indicam um “efeito protetor feminino”, que sugere que as mulheres precisariam de uma carga genética maior para manifestar sinais de autismo.

Por outro lado, os fatores sociais também desempenham um papel crucial. Historicamente, os modelos de diagnóstico foram desenvolvidos com base em perfis masculinos, o que pode ter levado a uma subnotificação entre as mulheres. Muitas meninas podem apresentar sintomas de forma menos visível, utilizando estratégias de “camuflagem” para imitar comportamentos sociais, o que dificulta o reconhecimento do TEA.

A Importância da Identificação Precoce e Inclusiva

O diagnóstico precoce do TEA é fundamental para o desenvolvimento e a qualidade de vida das pessoas afetadas. A psicóloga Andrêa Regina Chamon destaca que a forma como o TEA é reconhecido e diagnosticado pode variar significativamente entre os gêneros, afetando diretamente a identidade e o suporte que recebem ao longo da vida. Meninas que não são diagnosticadas adequadamente podem passar anos recebendo outros diagnósticos, como ansiedade ou depressão, sem que a real condição seja considerada.

Além disso, a falta de pesquisas que incluam amostras representativas de mulheres em estudos sobre autismo pode perpetuar essa disparidade. A psiquiatra Flávia Zuccolotto enfatiza a necessidade de abordar a diversidade das experiências autistas, ressaltando que não existe um perfil único para o autismo, e que cada indivíduo apresenta características e necessidades únicas.

Desafios e Oportunidades para o Futuro

À medida que a pesquisa sobre o autismo avança, é crucial que as futuras investigações considerem a complexidade do transtorno e as variáveis sociais que influenciam os diagnósticos. A revisão dos critérios diagnósticos e a inclusão de uma perspectiva de gênero nas pesquisas podem levar a uma melhor compreensão das diferenças e semelhanças no espectro autista.

Uma abordagem mais inclusiva e informada pode não apenas melhorar a precisão dos diagnósticos, mas também garantir que as intervenções e tratamentos sejam mais adequados às necessidades de cada indivíduo. Assim, o Dia Mundial do Autismo não é apenas uma data para conscientização, mas um chamado à ação para que profissionais de saúde, pesquisadores e a sociedade como um todo se unam na luta por uma melhor compreensão do TEA e de seu impacto em todas as pessoas, independentemente do gênero.

Referências

Estudo sueco publicado na revista The BMJ, 2025.

Pesquisas da Universidade de Yale sobre o efeito protetor feminino e genética no TEA.


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